as pedraS . . .

BISTRÔ

tábua de frios...
e o mendigo lá fora

chove.

restaurante cheio,
todos comem,
ninguém se comove...

tábua de frios



( in: e-Poesia. Acervo EDA)

PARA O DEUS QUE OLHA DE ESGUELHA

porque em uma hora nascer,
já é ter sido em alguma hora nascido,
mesmo que em hora tão longínqua,
longe tanto que impossível de ser

e o tempo vem, implacável, devorar
todas as horas
devorando todas todo-tempo,
por fim devorando a si próprio,
cujo corpo é de horas feito

o tempo é esse algo impossível,
porque nasce para dentro de si mesmo,
é uma cobra, sim, que se come a si próprio
` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` ` sempre,
que se engloba no tanto de ponto,
que na fome de si próprio,
atinge o mínimo absoluto,
e continua oco
e sua pele é cercada de suas vísceras,
e suas vísceras têm muito gosto de hora