as pedraS . . .

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olhos nos espreitam
através da memória líquida do tempo
olhos que nos guardam
serenos, vítreos, firmes e atentos...


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a divindade se vê por entre
onde os pensamentos não habitam


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22 de abril, 2o16

BIOGRAFIAS



se tu morres, tu me dás um personagem.
se tu vives, tu me dás um também.
mas, se tu morres, eu fico na saudade...
e para um próximo café, ninguém


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B. Aires, 14 de agosto de 2016
em uma cidade onde so-
mente ideogramas nas
tabuletas e letreiros
uma alma ocidental e vagante
sem qualquer reflexo de
seu idioma e sua origem
mergulhava na luz do dia
e se transformava em dia
sutil matéria de vida


( 30 de setembro de 2016)



 
(Uma fármacia de manipulação em Yiwu, China -- outubro/ 2015)
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frio azul...
mas do fundo de uma rua sua
lembrança memória nua
sua alma de alvorada
viva e cálida memória
na pele

vento em torvelinho numa
praça fria e desfolhada
e um leve arrepio no espírito
por um leve desejo de
não mais regressar



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B. Aires, 2 de setembro, 2016
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Hoje eu estou entre silêncios e espelhos
Dentro de mim um lusco-fusco joga
Com imagens de espectros e de sonhos
Um jogo lúdico mas um tanto triste
E disso tudo podemos perceber
O denso escuro dessa matéria sutil tanto
Que se chama alma...

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Rio, 1º de outubro, 2016
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Tem dias nos quais o herói cai
Mas se levanta ao fim do dia. . .


Herois não possuem direitos
Além de sua prerrogativa de resistir


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13 de julho, 2015
entre uma coisa e
outra
resta o
rosto de
Deus
réstia de luz no
rastro frio da imensidão

        ----- × -----

entre tantas coisas esquecidas
essa triste criança escondida
ao fundo de um sótão
tão só se ela não escuta
de nós qualquer resquício
de voz

        ----- × -----

nenhum astro se mostra
mais do que suas pegadas pequenas
no espaço denso da escuridão

        ----- × -----

foi um poeta que pintou
no manto da noite
todos os luzeiros em suspensão




       27 de setembro de 2016.
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no lume da vela
em seu quarto em penumbra
o humilde gênio vislumbra
o
mundo...

arauto do porvir
determinado e mudo
em sua oficina oculta
todo o futuro se modela...

e no espaço da noite
somente a Lua como testemunha
e uma silente coruja
que num conta nada
para ninguém

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21 de setembro de 2016