as pedraS . . .

POMBOS


a tarde é chapa de metal escovado

na cornija de ferro alinhados,
arrulham aço
e ciscam ranhuras de zinco.

um homem parado no sinal
toma chuva
enquanto um táxi toma café
e um ambulante toma cinco real.

o dia veste malha
de gotas miúdas
trançadas na queda.
a menina veste um sorriso
e um lábio vermelhinho
pra esquentar os dentes.

limalhas de ferro na moela
trituram o dia com facilidade.

um transeunte pensativo,
voando gaivota,
toma titica.

pombos digerem a rigidez das coisas
e cagam
em nossas cabeças.
sacodem a cauda
e alçam vôo